Monday, 29 June 2015

Tsipras e o referendo grego

O que se está a passar na Grecia, para mim, não é mais do que um grupo de rapazes inteligentes e extremamente irresponsáveis a brincar ao populismo sem se preocuparem muito com as consequências. Simples.

Podem-se queixar das troikas o mais que quiserem mas é preciso ser bastante inocente para acreditar que alguém vai doar biliões…. Mas já alguém viu isso a acontecer?! Há fome e doença espalhada pelo mundo há decadas e que podia ser combatida com dinheiro, mas isso nunca aconteceu – porque raio é que agora se espera que o dinheiro seja doado a um país bastante desenvolvido (por comparação)?!

E por falar em comparação, se eu for a um banco pedir um empréstimo, não me estou a colocar nas mãos da entidade que me empresta o dinheiro de que preciso? Cabe na cabeça de alguém voltar lá seis meses depois e querer renegociar valores e prazos contra a vontade de quem me emprestou o dinheiro quando eu precisei?

Tsipras é um populista puro, ao nível dos demagogos da extrema esquerda e extrema direita. Um Farage, um Le Pen, um Bové, um Jerónimo. Nenhum deles deveria algum dia poder chegar perto do poder, mas…

Esta ideia do referendo é a mais cobarde e patética que se possa imaginar. Seis meses atrás (Janeiro!) a população grega elegeu Tsipras e os seus compinchas para liderar o governo. Ele prometeu rejeitar acordos que fossem contra os interesses da Grécia. Prometeu (sim, prometeu!) fazer ver aos credores que ele tinha planos alternativos que eles iriam aceitar. Prometeu levar a luta até às últimas consequências. Ele queria ser um líder daqueles que estavam revoltados e frustrados.

Passaram seis meses. Os credores não cederam – para surpresa de ninguém – e agora Tsipras, quando precisa de tomar decisões, passa o jugo da decisão para os cidadãos através de um referendo?! 

Tsipras tem a legitimidade necessaria para tomar as decisões difíceis que tiver de tomar, foi-lhe dada através do voto popular! Anunciar o referendo, anunciar que vai fazer campanha pela rejeição das propostas europeias (porque nao rejeitá-las em bruxelas?!), gastar tempo e dinheiro numa consulta popular sobre um tema tão delicado e técnico como a crise financeira grega, isso sim é uma tragédia!

Eu trabalho em Bruxelas, sigo estes desenvolvimentos políticos de perto, tenho interesse nesta área, tenho experiência – e ainda assim não entendo metade das exigências gregas ou dos credores! Por amor à Santa, mas o desgraçado do grego comum, em Atenas ou no interior, ou nas ilhas perto ou distantes, tem alguma preparação e informação para poder decidir desta forma o destino do seu país? Não foi para isso que elegeram um governo, para representar o interesse do país?! E já agora, é importante salientar que a Comissão Europeia publicou, no Domingo, documentos que mostram que aquilo que Tsipras levou para Atenas para abanar no ar enquanto grita lugares-comuns não corresponde à proposta final dos credores...

Ainda há quem defenda as “tácticas” de Tsipras e Varoufakis. Haverá quem ache que são eles os protectores dos pobres e oprimidos. E de certeza quem gostaria de ver um cenário semelhante em Portugal. Eu não sou um deles. 

No comments:

Post a Comment