DIA 1 NAS SEYCHELLES
Hoje cheguei ao Paraíso. Felizmente isto não é um texto escrito do Além
- onde decerto serei um dia recompensado
pelas minhas boas acções terrenas. Não, vivinho da Silva, cheguei hoje às
Seychelles!
Foi um dia longo, saímos eu e a Maiju de Bruxelas no Sábado e só aterrámos
aqui no Domingo. Viagem longa até AbuDhabi e depois mais umas horas valentes no
aeroporto. Mini-notas:
- - TV em tempo real no avião!! Juro que nem vi nenhum dos filmes que dava pra ver, fiquei-me por ver televisão como se estivesse sossegadinho na sala lá de casa. Mas não, estava mesmo a voar pelos céus Europeus e a ver um jogo da Premier League em directo. Impressionou-me mesmo, é fantástico ver estas evoluções a acontecer como se não fossem nada de mais. (eu ainda sou do tempo em que voar era um luxo e até havia divisórias para fumadores e não fumadores na mesma cabine)
- - Por falar nisso, se há coisa que eu não percebo nos aviões é porquê que no cubículo da casa de banho ainda existem cinzeiros?! Ou andamos todos a voar em relíquias dos anos 90 ou alguém se esqueceu de dizer ao gajo que faz as portas da casa de banho que já não é preciso lá pôr aquela merda. Não faz sentido nenhum, as mensagens audio avisam que se um gajo fumar um cigarro na retrete vai de cana, mas depois deixam lá ficar o cinzeiro, mesmo pra testar a força de vontade do fumador mais agarrado! Puro sadismo.
- - Chegados a Abu Dhabi demos um saltinho ao Yas Mall que não era longe do aeroporto. De vez em quando um gajo descobre que os centros comerciais são como os vegetais do Entroncamento – alguns são grande pra caralho! Na minha ordem de dimensão de centros comerciais, e respeitando a sagrada regra cronológica, isto vai assim: Fonte Nova > Amoreiras > Colombo > Yas Mall. Mas sem Continente. E sem cinemas com chungos. E com muito nível. E estilo. E luz e cor. E brilho. E vontade de lá ficar. Ok, se calhar há ali uns níveis entre o Colombo e o Yas Mall, mas isso fica pra outro dia.
- - O avião de Abu Dhabi pra Mahé atrasou duas horas. A mim não fez diferença nenhuma, em vez de chegar ao Paraíso às 7 da manhã cheguei às 9. Mas havia ali um grupinho de ansiosos que se revoltavam de maneira discreta, com o abanar de cabeça e com o look “fico fodido com isto” pras respectivas companheiras. Uns destes heróis chegaram a tirar fotos ao ecrã onde se referia o atraso e foram mesmo falar com o tipo da Etihad para pedir compensação pelo atraso, como se estivessem na UE. Ah pois é, agora já gostamos da UE? Agora a UE já dá jeito e tem coisas boas. “Ah não é assim no Mundo todo? Que atrasados estes gajos, nós na UE não somos encavados assim! Agora já gosto da UE. Mas só até amanhã, depois lembro-me outra vez que são todos iguais esses gajos em Bruxelas e só nos lixam a nós, o povinho nos nossos países, pá!”
Pronto, depois chegàmos a Anse Royale – vulgo, Paraíso. Porra, isto é mesmo
lindo. Um gajo pode ver fotos na Volta ao Mundo, ouvir falar disto pela
Cristina lá do escritório que se casou com o Jaime no Verão passado e foram lá às
Seychelles, ou ás Maldivas, a uma dessas ilhas pra casais... Mas nada te
prepara para as cores que vês quando aqui chegas. Sim, a areia é branca e não
castanha clara. O mar é Turquesa, aquela misturada de azul e verde onde os
barcos não conseguem entrar e ficam ali a pairar. As florestas à volta são
verdes Jurassic Park, cheias de fetos e palmeiras. Nao há muito mais a dizer, a
única coisa a fazer é tentar aproveitar ao máximo estes dias aqui e flutuar
muito, snorklar muito, nadar muito, ler muito, descansar muito. E é mesmo isso
que eu planeio fazer!
Estou a escrever isto à noite na varanda do nosso apartamento, ainda tá um
calor valente. Mas não estou sozinho. Estou rodeado de geckos, uns dez a
passear por aqui nas paredes. É um bicho engracado, lagarto estilo ninja, patas
de seda que um gajo quase não dá por ele. Só quando se põe a coaxar numa de
esquizofrenia convencido que é sapo. Gosto dos geckos e temos um inimigo comum
– o mosquito. Eu e os geckos somos tão mais felizes quanto mais mosquitos forem
desta pra melhor: a mim já não me sugam o sangue e enchem o bucho do gecko. Já
dizia o Sun Tsu - ou então era outro gajo qualquer mas nisto das referências históricas
o melhor é atirar um Sun Tsu ou Churchil e em princípio acerta-se – inimigo do
teu inimigo, teu amigo é.
Anse Royale
20/03/2016
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