Thursday, 30 January 2014

The hitchhiker and I

Today I did something I had never done before: I picked up my first hitchhiker. We were driving from Barra da Lagoa to Armação, in Santa Catarina Island, and as the end of the afternoon was coming we saw a guy by the road with his thumb up. I stopped the car and Maiju got out to ask him where he was going and soon my first ever hitchhiker was inside the car.

Meet Gabriel. Gabriel is 17 years old, just finished school and will now do a “cursinho”. He was born in Brasília but now lives in Santa Catarina.

-         Gabriel, do you like it here?
-          Yeah man, I do! Life is really peaceful, there is no stress and the beach is beautiful.
-          Gabriel, where are you going?
-          I´m going to a party, man, in the next town. It starts in two hours so I thought of going early because of the traffic.

So, Gabriel is a local. He is a hippie-looking local, dressed in hemp clothes and with the token longish hair that may one day grow into dreadlocks. I´m not sure we have much in common, my first hitchhiker and I…

He asks me why I have a car, I explain I am renting it, and he gives me that look of condemnation for polluting the environment (though he is happily sitting on the back seat). When I tell him that we came to this town to see the famous beach he tells me that I should also have visited this very cool market – the hemp market – where I could buy lots of cool stuff (I swear I saw him grinning…). He told me also that the place where I was staying, Armação, was where many years ago fishermen would set sail to go kill whales, “poor animals”. I agreed it was a barbaric activity.

During that shared hour of my life and Gabriel´s we must not have moved more than five kilometers. Cars didn’t move at all, it was like someone has pushed the Pause button on the whole traffic jam. Night came and suddenly Gabriel tells us that he needs to leave us and he´ll walk from there on. He gives us the Buddhist salute, wishes me peace and walks out of the motionless car.


I´m sure Gabriel reached the party on time and I´m sure I spent two more hours in that traffic jam. I´m not so sure I will pick up another hitchhiker anytime soon. 

Wednesday, 29 January 2014

Lopes Mendes, lembras-te?

Quando te dizem que uma praia é “espantosa”, tu pensas – porque será? Será do mar; da areia; do local? Então agora ouve: a praia de Lopes Mendes na Ilha Grande é espantosa, e digo-te já porquê.

Porque já estiveste na Praia de Lopes Mendes! Porque já TODOS estivemos na Praia de Lopes Mendes – é isso que é espantoso. Ora, quando eu digo que já todos lá estivemos estou claro a falar no sentido figurado. Sabes quando te pedem para pensares ou descreveres a praia de sonho? Sabes quando nos filmes há uns vilões que vivem num paraíso tropical deslumbrante? Sabes quando te dás conta que vives num sítio frio e com chuva e fechas os olhos e imaginas uma praia deslumbrante onde o mar é azul, a areia é branca, e a floresta é verde? Pois, todos esses sítios são Lopes Mendes e o sonho e a imaginação já nos levaram lá a todos.

Não é fácil de lá chegar, é daquelas coisas que tens de querer mesmo senão não vais ter. Podes dar numa de corajoso e ir desde a terrinha de Abraão – base de todos os turistas na Ilha Grande – até Lopes Mendes por um trilho na floresta. Tens de atravessar duas ou três montanhas bem altas, lidar com temperaturas acima dos trinta graus, e pôr três horas de lado mas se te sentes forte e jovem, força! Eu não sinto, por isso vim de barco todo confortável. (ok, depois do barco ainda tens de desbravar terreno pela floresta para chegar à praia mas 20 minutos sempre é melhor que 3 horas!)

Chegando aqui percebes porquê que vieste. Dizem nos guias que “a praia parece interminável com o seu areal até perder de vista”. Aqui entre nós que somos Portugueses, estes rótulos de praia interminável são um bocado um exagero, no nosso cantinho também temos quilómetros e quilómetros de areia, mas tá bem!
Isto aqui é realmente lindo, é um cenário idílico e ideal. De um lado o mar azul, forte, ondulado, fresco e que te chama. Do outro, o verde da floresta, o fresco da vegetação, a sombra das árvores, e o barulho de pássaros e insectos. No meio, a areia branca e neutral, o teu porto seguro para disfrutar disto tudo. Podes não me acreditar mas enquanto lá estivemos fomos visitados por um macaco que veio dizer “olá!” do cimo das árvores e voltou logo para a vida dele. Esse veio de cima, de baixo da areia apareciam de vez em quando uns mini-caranguejos albinos e curiosos, saídos dos seus buraquinhos e correndo sobre a areia quente.


Que sítio! Que praia!! “A mais bonita do Brasil”, como eles dizem? Eh pá, isso não sei, precisava de as ver a todas e de qualquer maneira também não gosto muito de rankings. Mas quando puderes dá lá um salto a Lopes Mendes – vais ver que já lá tinhas estado!

Thursday, 16 January 2014

O meu Avô em Pelotas

Se forem daqueles, como eu, que gostam de arquitectura então têm de conhecer a estação rodoviária de Pelotas!

Acabei em Pelotas porque não havia autocarros que fizessem a ligação entre Chui na fronteira com o Uruguai e Porto Alegre, o meu destino final do dia. O melhor que se arranjou foi um desvio por Pelotas e daí a ligação à capital do Rio Grande do Sul. Devo ter estado uma hora no máximo na cidade, e toda ela passada na estação rodoviária – mas valeu a pena porque para além da viagem no espaço, fiz também uma viagem no tempo.

Não sendo de todo um expert em arquitectura não sei precisar em que período terá sido construída a rodoviária – provavelmente anos 60 ou 70. Sei que a estação tinha aquele look “Estado Novo” que as nossas estações em Portugal costumavam ter. Sei que, de um momento para o outro, me senti de novo com 6 anos de idade no Fundão, sei que aquela estação era por dentro igual a tantas outras que já não existem em Portugal. Não é saudosismo, sei que as nossas estações evoluíram e tornaram-se mais práticas e confortáveis, mas o preço que pagámos por isso foi o abdicar daquele charme retro.


O exterior daquela estação talvez seja o que a torna única já que duvido que haja muitas estações construídas na forma de pagode chinês no interior Brasileiro... Mas o mais fascinante não era o exterior mas sim o interior. Por dentro havia todo um mundo a explorar! Com dois andares, a ligação entre os dois é feita não por escadas rolantes ou elevadores, mas por old-school rampas em espiral. Como uma criança, eu só queria correr para cima e para baixo, ou junto ao ângulo interior para reduzir o esforço da ascensão ou numa correria desenfreada por ali abaixo, junto ao rail exterior olhando para baixo e vendo em círculo os passageiros em trânsito. As bilheteiras não tinham microfones para filtrar a conversa entre passageiro e funcionário, tinham sim aquela imagem de janela mágica em que se forem ditas as palavras certas se ganha como prémio o bilhete para um qualquer destino exótico e distante. Os lavabos não eram brancos e anti-sépticos (como deveriam ser, claro) mas tinham um qualquer encanto particular, um cheiro discreto a naftalina, luz vinda das janelas e mais espaço do que se encontra hoje em tais sítios. A estação duplica também como centro comercial, aproveitando as horas de intervalo entre ônibus que entram e saem. Mas não lojas modernas e atraentes, essas não pertencem aí. As lojas da estação rodoviária de Pelotas são também elas imunes à passagem do tempo, relíquias de tempos já passados. Tenho a impressão que não vendem qualquer produto há décadas e no entanto ali estão, estóicas, porque na verdade, para onde iriam se não estivessem ali? Quem as queria?...

Mas a piece de résistance de toda aquela experiência foi o que encontrei nas lanchonetes lá do sítio. Sim, tinham comida, bebida, snacks e pessoas atarefadas com fome. Mas o que elas tinham que me ficou colado aos olhos era aqueles quadros grandes a anunciar os produtos em venda e os preços, aqueles quadros negros em que se colocam as letrinhas brancas ou amarelas e em frente os números que compõem os preços – lembram-se?? Quando eu era míudo no Fundão, todos os estabelecimentos tinham aqueles quadros, todos os bancos tinham os câmbios anunciados naqueles quadros, todas as estações tinham os horários das partidas e chegadas naqueles quadros. E aí lembrei-me do meu avô e senti muita mas muita saudade dele. O meu avô era o meu companheiro de passeios quando eu era garoto, quem me levava à rua para parar de chatear as pessoas em casa. Passávamos pelos bancos e ele mostrava-me o quadro dos câmbios e eu decorava as bandeiras dos países e as moedas correspondentes. De vez em quando ele testava-me e quando eu acertava na bandeira do Canadá ou na moeda do Japão, então sentia um orgulho enorme e uma curiosidade infinita de viajar e ir conhecer esses lugares. Ou então íamos até à Auto-Transportes, a rodoviária local, e víamos aquelas bestas motorizadas que chegavam e partiam sabe-se lá de onde e para onde, cheios de gente a carregar bagagens e a transbordar emoções. E lá estavam os tais quadros pretos com as letrinhas a contar-nos das chegadas e das partidas. Mas do que me lembro melhor era das tardes no Café Cine, sentados na esplanada, junto à Avenida. Era ali que o meu Avô era Rei, era ali o seu trono. Dali, parecia-me a mim, ele controlava a rua, a cidade, c´os diabos, controlava o Mundo!! Eu sentava-me ao lado dele e via e escutava como ele comentava as notícias do jornal; como ele cumprimentava as pessoas que passavam, conhecendo todas sem excepção; como era atencioso para o Sr. Prior que ia a caminho da Igreja e parava na nossa mesa para um rápido monólogo do estilo: “como está o rapaz? Espero ver-te lá na missa no Domingo! Ai este rapaz...”. De como ele chamava o empregado e me dizia para pedir o que quisesse – um rápido olhar para o quadro negro mágico e uma leitura das suas letrinhas e, invariavelmente, saía uma torrada. Que saudades desses dias em que víamos a vida e o tempo a passar pelo Fundão da primeira fila e com direito a lanche.


Foram essas memórias que me vieram à cabeça naquela estação rodoviária perdida em Pelotas. E é por isso que vou continuar à procura de lanchonetes com quadros negros com letrinhas e números – para mim são sinais de qualidade!!

Tuesday, 14 January 2014

Es ist Brazil! Genau, Beleza!!

I am writing this from a place that can only be characterized in one way: a total sensorial mess! This is Neverland, this is Fantasyland, this is GRAMADO. “What is so special about Gramado?” you may ask. Well, let me tell you.

Gramado is a small town in the interior of Rio Grande do Sul, about two hours away from Porto Alegre. It is a very peculiar place in Brazil because it has been home to a big German immigrant community that built the town like if they were in Europe. They found some mountains (what else?...) and made a small Deutschland in the middle of Brazil. But that’s not all, the town has also been home to Azorean settlers and Italian immigrants, making it quite the Babel. So the result of it is utter confusion, but in a good German structured way.

To get here you need to drive through the mountains and there you get your first glimpse of confusion – pine trees on the left, palm trees on the right; cactus here and hydrangeas there. You realize something is odd and you pay more attention. Then you see adverts to the local Oktoberfest and to the Spieger brewery. Ok….. But nothing prepares you for the town itself – you discover a little German alpine town, the kind you would find in Southern Bavaria or in Austria. The buildings are made in wood with their balconies and rooftops similar to those of the popular German stories. The streets are orderly and clean, time is shown in cuckoo clocks, the people are tall, blonde and blue-eyed and here and there you can hear Brazilians speaking a mix of Portuguese and German on the phone! It is quite bizarre!


We have passed by Square Nicoletti, we have seen the Azorean church and we are staying in a German-style chalet. In rural Brazil... Tomorrow it will be time to check out more about this quirky little place and, who knows, maybe even have a schnitzel and a caipirinha!!