O que se está a passar
na Grecia, para mim, não é mais do que um grupo de rapazes inteligentes e
extremamente irresponsáveis a brincar ao populismo sem se preocuparem muito com
as consequências. Simples.
Podem-se queixar
das troikas o mais que quiserem mas é preciso ser bastante inocente para
acreditar que alguém vai doar biliões…. Mas já alguém viu isso a acontecer?! Há
fome e doença espalhada pelo mundo há decadas e que podia ser combatida com
dinheiro, mas isso nunca aconteceu – porque raio é que agora se espera que o
dinheiro seja doado a um país bastante desenvolvido (por comparação)?!
E por falar em comparação,
se eu for a um banco pedir um empréstimo, não me estou a colocar nas mãos da
entidade que me empresta o dinheiro de que preciso? Cabe na cabeça de alguém
voltar lá seis meses depois e querer renegociar valores e prazos contra a
vontade de quem me emprestou o dinheiro quando eu precisei?
Tsipras é um
populista puro, ao nível dos demagogos da extrema esquerda e extrema direita.
Um Farage, um Le Pen, um Bové, um Jerónimo. Nenhum deles deveria algum dia
poder chegar perto do poder, mas…
Esta ideia do
referendo é a mais cobarde e patética que se possa imaginar. Seis meses atrás
(Janeiro!) a população grega elegeu Tsipras e os seus compinchas para liderar o
governo. Ele prometeu rejeitar acordos que fossem contra os interesses da Grécia.
Prometeu (sim, prometeu!) fazer ver aos credores que ele tinha planos
alternativos que eles iriam aceitar. Prometeu levar a luta até às últimas
consequências. Ele queria ser um líder daqueles que estavam revoltados e
frustrados.
Passaram seis
meses. Os credores não cederam – para surpresa de ninguém – e agora Tsipras,
quando precisa de tomar decisões, passa o jugo da decisão para os cidadãos
através de um referendo?!
Tsipras tem a legitimidade necessaria para tomar as decisões difíceis que tiver de
tomar, foi-lhe dada através do voto popular! Anunciar o referendo, anunciar que
vai fazer campanha pela rejeição das propostas europeias (porque nao rejeitá-las
em bruxelas?!), gastar tempo e dinheiro numa consulta popular sobre um tema tão
delicado e técnico como a crise financeira grega, isso sim é uma tragédia!
Eu trabalho em
Bruxelas, sigo estes desenvolvimentos políticos de perto, tenho interesse nesta
área, tenho experiência – e ainda assim não entendo metade das exigências gregas
ou dos credores! Por amor à Santa, mas o desgraçado do grego comum, em Atenas
ou no interior, ou nas ilhas perto ou distantes, tem alguma preparação e
informação para poder decidir desta forma o destino do seu país? Não foi para
isso que elegeram um governo, para representar o interesse do país?! E já
agora, é importante salientar que a Comissão Europeia publicou, no Domingo,
documentos que mostram que aquilo que Tsipras levou para Atenas para abanar no
ar enquanto grita lugares-comuns não corresponde à proposta final dos
credores...
Ainda há quem
defenda as “tácticas” de Tsipras e Varoufakis. Haverá quem ache que são eles os
protectores dos pobres e oprimidos. E de certeza quem gostaria de ver um cenário
semelhante em Portugal. Eu não sou um deles.