Comecei a escrever isto porque tenho andado preocupado com as próximas eleições. Preocupa-me o resultado das eleições. Preocupa-me o estado do país. Preocupam-me as decisões importantes que vão ter de ser tomadas nos próximos meses. Mas descobri qual é a coisa que me preocupa mais. A minha maior preocupação é que não aproveitemos esta oportunidade para fazer qualquer coisa!
Parece-me mais ou menos unânime que as coisas em Portugal não estão bem. E não é só por eu ser extremamente perspicaz que digo isto – os pedidos de ajuda financeira às instituições internacionais também me fizeram desenvolver esta opinião. Mas o que está em questão nestas eleições não é quem ganha, é mais quem perde. Não me interessa se vão votar PS; PSD; CDS; PCP; BE ou qualquer um dos outros partidos. O que me preocupa é falar com os meus colegas, com os meus amigos e com a minha família e ouvir de todos eles uma desilusão completa com a política e com os políticos. Estou saturado de ouvir os comentários “ah, Eles são todos iguais” ou “Eles querem é tachos” ou “Nós é que fazemos sacrifícios e Eles continuam na mesma”. Eu não sei quem é esta identidade colectiva contra quem todos parecem estar. Os políticos parecem-me ser hoje os inimigos do Português comum e na maioria das opiniões que ouço são também a causa de todos os problemas.
Não faço nenhuma apologia dos políticos portugueses nem sou inocente ao ponto de acreditar que todos são bons. Mas não aceito esta visão que são todos maus. Mais que isso, não aceito a visão de que a culpa é “deles”. “Eles” somos nós também! Os políticos são os nossos representantes legítimos nas instituições democráticas que temos. E só obtêm os cargos que têm porque nós lhes damos esse privilégio através do voto. Parece-me a mim que há uma desresponsabilização generalizada em Portugal, uma tendência a fazer o mais fácil que é sempre culpar os outros. A minha geração está hoje na posição central da sociedade portuguesa. Estamos todos pelos 30 anos, acabámos os cursos há meia década, estamos a trabalhar, a começar as nossas vidas, a casar, a ter filhos. Somos capazes de tomar todas essas decisões orientando-nos pelo princípio de tentar obter o que é melhor para nós. O que é melhor para nós é também o bem comum, é ter um futuro melhor enquanto indivíduos mas também enquanto sociedade. Ouço imensas queixas que não temos voz, que não temos poder. Eu estou muito satisfeito por viver numa democracia livre e por me ser dada a oportunidade de eleger os meus representantes. Posso não apreciar ou conhecer a maioria deles, posso não concordar com algumas das propostas ou decisões, mas sou eu que tenho o poder de eleger os meus representantes.
É por isso que amanhã vou voar para Portugal para poder votar nas eleições. O bilhete de avião foi caríssimo, mas vale a pena voltar a casa para poder usar a minha forma de influenciar os acontecimentos. Nas últimas eleições presidenciais, mais de metade dos portugueses não foram votar. Agora, menos de 6 meses depois, temos outras eleições. A todos os que não estão satisfeitos, a todos os que acham que as coisas podem melhorar, eu peço sinceramente que não abdiquem do seu poder de decisão. Peço sinceramente que no Domingo vão expressar os seus sentimentos de uma forma construtiva e útil através do voto. Só temos legitimidade de criticar e fazer exigências se fizermos parte do processo. Votem em quem quiserem consoante as vossas preferências e opiniões. Mas por favor, no Domingo, vão votar!!
ANC, Bruxelas, 02 Junho 2011
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